Era o ano de 2003, época de Natal. Eu tinha 10 anos e penso que nesse ano estava ansiosa, como nunca, para as férias de Natal começarem pois sabia que as iria passar (finalmente) com o meu pai. Dias, semanas, meses, anos sem o ver, mil e mil km a separar-nos e nem uma ou duas semanas chegavam para matar todas as saudades que existiam entre nós.
Quando finalmente o vi, é impossível descrever a minha felicidade, mas também, como se vê a felicidade de uma criança? Por um sorriso na cara, um forte brilho nos olhos, por vezes cheios de lágrimas de alegria…
As ruas estavam tão lindas, estavam brancas de neve, parecia algum mundo mágico e a neve não parava de cair. A caminho de casa ele contava-me histórias, eu era muito feliz e depois pensei que só a distância não me deixava estar sempre com ele, sentir o amor dele, rir com ele. Faltava-me a preocupação dele, sentir que, quando estivesse a dormir, ele entrava no meu quarto, sentava-se no cantinho da cama e dizia o quanto gosta de mim, o quanto sou importante na vida dele e que sou a melhor coisa que alguma vez ele poderia ter.
Não me lembro de todo o tempo que passava com ele, mas, aquelas férias de Natal, jamais as esquecerei. Contar toda a história de começo ao fim? Não vale a pena, ninguém o irá entender, nem conseguirá compreender a minha felicidade ou tristeza, apenas eu que consigo sentir e sei o que senti naqueles dias. As férias, sim, foram únicas, o meu pai nunca me deixou, naqueles dias, esteve sempre presente, mesmo no dia da despedida. Uma criança de 10 anos, ainda não sabe o que é dor, o que é sofrer, mas naquele dia, eu já me sentia mal, com algum vazio dentro de mim e já com certa saudade. Eu estava na sala, a pensar que não o quero deixar ir, que quero que ele fique comigo para todo o sempre, mas, se tudo fosse tão fácil…
Quando chegou o momento de ir para o aeroporto, no último instante eu disse que não queria ir. Não porque não me apetecesse, mas sabia que iria chorar e não queria que ele, na sua partida, visse as minhas lágrimas, a minha tristeza, não queria que ele na sua despedida, o meu retrato na memória dele fosse esse. Queria que ele, pela última vez me visse a sorrir, com um brilho nos olhos, da mesma maneira quando chegou. Estava na hora, ele entrou na sala, pegou-me ao colo e disse: “Pronto amor, eu vou-me embora, mas sabes, eu prometo-te, um dia, irás passear comigo em Portugal e vamos estar sempre juntos, sempre, está bem? Eu prometo e vou cumprir isso. A distância nunca vai conseguir separar-nos. Amo-te muito, lembra-te disso.” Deu-me um beijo e saiu para fora. Eu não aguentei, não consegui sorrir, mexer, não consegui fazer nada. Os meus olhos brilhavam, mas não era de felicidade, eram as lágrimas que estavam prontas a cair como se fosse uma chuva. Vi-o pela janela a ir embora, ele simplesmente desaparecia da minha frente e a neve… a neve continuava a cair apagando as suas pegadas.
24 de Fevereiro de 2010
Oksana Zvarych , nº19 , 10ºD
É algo puro, mágico... É sentir que estás lá para me segurar, para me apoiar, para me aturar. Às vezes, boas amizades criticam, definem, toleram, mas no fim...tudo se resume em Felicidade! * É poder partilhar compaixão, alegria, dor, sofrimento, AMOR! * Resume-se em algo que se sente, mas não se define. É algo que tanto é bom como mau, horrível, mas...Ao mesmo tempo a descoberta de novas aventuras, emoções e desvarios loucos! * Amizade, o que é? * É tudo aquilo que eu quero! * É poder rir, dançar, saltar, chorar, gemer, gritar...sempre sabendo que tu vais lá estar comigo «para o que der e vier». * Não é o ser que define a Amizade, mas a verdadeira Amizade é que define o que somos: quem sou e quem és!
Pensas que fizeste tudo mal E que nada valeu a pena Na tua mente é tudo tão irreal E a vontade de viver tão pequena
* Dizes que estás bem consciente Dos actos que fazes no dia-a-dia Mas estás louca pura e simplesmente Com ideia no mundo da fantasia
* Recusas aquela ajuda Que os amigos te vão querendo dar Preferes desenrascar-te sozinha Nem que para isso tenhas que roubar
* Deixaste o tempo passar E não tomaste nenhuma atitude Tiveste medo de revelar Que em ti também havia virtude
* Tu sabes qual é a sensação De não ter ninguém para te consolar Mas foi esse o caminho que escolheste E contra isso já não podes lutar * É tarde olhares para trás E culpares-te do que aconteceu Pensa no que o futuro te traz E que antiga alma morreu
Subject: 3 vidas em análise sobre o livro Sinopse Quem é António Augusto Millhouse Pascal? Que segredos rodeiam a vida deste homem de idade, que se esconde do mundo num casarão de província, acompanhado de três netos insolentes, um jardineiro soturno e uma lista de clientes tão abastados e vividos, como perigosos e loucos? São estes os mistérios que o narrador, um rapaz de uma família modesta, vai procurar desvendar não podendo adivinhar que o emprego que lhe é oferecido por Millhouse Pascal se irá transformar numa obsessão que acabará por consumir a sua própria vida. Passando pelo Alentejo, por Lisboa e por Nova Iorque em plenos anos oitenta - época de todas as ganâncias - e, desvendando o passado turbulento do seu patrão - na Guerra Civil Espanhola e na Segunda Guerra Mundial -, As Três Vidas é uma viagem de autodescoberta através do «outro». Cruzando a história sangrenta do século XX com a história destas personagens, este romance é também sobre a paixão do narrador por Camila, a neta mais velha de Millhouse Pascal, e sobre a procura pelo destino secreto que a aguarda; que estará, tal como o do seu avô, inexoravelmente ligado ao destino de um mundo que ameaça, a qualquer momento, resvalar da estreita corda bamba sobre a qual ela se sustém. in wook.pt
*** Olá!
Depois de alguns (muitos) minutos a pensar numa maneira inteligente de saudar um escritor, visto que é a primeira vez que escrevo a um, acabei por presenteá-lo com a maior banalidade de que há memória neste mundo. De qualquer forma, e antes de mais nada, permita-me que lhe dê os parabéns pelos excelentes romances que escreveu. Encontrei os seus registos numa Feira do Livro, no Algarve, e comecei por ler o "Hotel Memória", que praticamente me saltou para as mãos assim que olhei para ele, e entretanto já li os outros livros.
Ora bem, sou uma aluna de Literatura Portuguesa no auge da sua carreira no Ensino Secundária, com 17 anos e uma estúpida queda para livros altamente complicados de analisar, coisa que, porém, faço com o maior gosto. A questão é que decidi analisar, então, as "3 Vidas" e não sei bem por onde lhe hei-de pegar. Gostava que me ajudasse, sinceramente nem sei bem de que maneira, mas acho que pelo menos uma pergunta concreta para lhe fazer tenho: onde posso eu encontrar informação sobre aqueles métodos de espionagem que o António Augusto Millhouse Pascal utilizava na época em que interrogava os presos da guerra? Ou poderá ser o próprio que me meteu nesta alhada a explicar-me mais ou menos isso?! E olhe que eu não me queixo da alhada em que me meteu! Admito que apesar de ter compreendido o que li, ao mesmo tempo não compreendi. Ou seja, compreendi perfeitamente o contexto do livro, todo o seu desenrolar, mas não consigo fazer a interpretação e transmiti-la. Obrigado pelo tempo que me dedicar,
Sara, a tal estudante de literatura.
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E...JOÃO TORDO RESPONDEU À SARA RAMINHOS, ALUNA DO 10.º D - LITERATURA PORTUGUESA.
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Aguardamos o trabalho da Sara e agradecemos ao escritor!
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João Tordo Nasceu em Lisboa em 1975 num ambiente artístico. Filho do cantor Fernando Tordo e de Isabel Branco que sempre esteve ligada ao cinema e mais tarde à moda. Andou no Liceu Pedro Nunes e «era o único que não jogava rugby», em vez disso lia, 'vício' que lhe pegou o padrasto depois do divórcio dos pais. Acabado o 12º ano, resolveu ir para Filosofia por ser «uma boa maneira de se pôr a pensar». Entrou na Universidade Nova de Lisboa e sentiu o peso da exigência do curso. As aulas de Filosofia medieval marcaram-no e confessa que a partir dali nunca mais viu o mundo da mesma maneira.Depois do curso ainda trabalhou em Lisboa algum tempo como jornalista freelancer mas sentiu a «necessidade de sair daqui e ir viver outras coisas». Foi o que fez e em 1999 rumou a Londres para fazer um mestrado em Jornalismo. A cidade influenciou-o a tantos níveis que quis ficar até «ao limite das suas possibilidades», mas quando deu por si a trabalhar num bar e a fazer traduções percebeu que era tempo de partir. A próxima paragem tinha que ser Nova Iorque - sempre o fascínio das cidades - e os cursos de escrita criativa do City College. Ia às aulas de manhã, servia às mesas de um restaurante durante o jantar e escrevia pela noite dentro. Os Homens sem Luz nasceram assim. No futuro, há outras histórias para contar.