28 de agosto de 2008

Fernanda Botelho


Ana, 2008

Esplanada


É o processo da forma seca e pobre
na calma aceitação de mais torpor:
nada que persista ou que demore
mais que o minuto calmo em que descobre
que, se o cenário mudou, a forma
continua.
E não transtorna,
nem ousa (ronceirosa)
mudar a cor da lua
ou pôr ordem no caos.
##
Esta é a fábula da lesma preguiçosa
à temperatura de 35 graus.


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22 de agosto de 2008

Sugestão de Leitura - VOVÔ TSONGONHANA

Vovô Tsongonhana



Biografia

O começo de tudo

Filho de pais portugueses, foi em Moçambique, no Caniçado, província de Gaza, em Junho de 1955 que Augusto Carlos nasceu, tendo se mudado com a família com apenas 1 ano de idade, para o Vale do Infulene (arredores de Maputo), onde permaneceu até aos 18 anos de idade.

Como aluno, destaca-se mais pelas traquinices que pelo estudo, mas mesmo assim, vai percorrendo as várias etapas do ensino, sem grandes sobressaltos até que, com cerca de 19 anos, entra no Instituto Industrial, de onde sai com o bacharelato em Engenharia Civil.

Os primeiros anos a trabalhar

Ainda estudante de engenharia, inicia o seu percurso profissional a dar aulas ao Ensino Básico por um período de sete anos. Em 1976, como finalista do curso, inicia a sua carreira no Laboratório de Engenharia e lá permanece até 1978, altura em que muda de emprego, para trabalhar como engenheiro, ficando na EME até Dezembro de 1979.

A ida para Portugal

Em Janeiro de 1980 Augusto Carlos viaja para Portugal, onde começa a trabalhar em algumas empresas de construção. Em 1984/1986 frequenta o Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (I.S.E.L.), de modo a obter as equivalências. Entetanto, Augusto Carlos continua a sua carreira, mas desta vez como empresário, corre o ano de 1987. Augusto Carlos tem no entanto uma mente inquieta, e, frequenta por 2 anos o curso de Filosofia, da Escola de Filosofia da Associação Cultural Nova Acrópole, em Lisboa.

Os livros e a engenharia

Mas foi como empresário que fez da Engenharia Civil o meio que lhe permitiu chegar ao que considera serem fins em si: a busca da razão de ser da vida, de modo a encontrar o que julga ser a verdade e, por inerência, a felicidade. E é em 2005, já com 50 anos, que realiza o seu grande sonho. Escrever.

Em 2005 edita o seu primeiro romance sob a chancela da Nova Vaga Editora e desde daí que não tem parado de escrever.

Livros publicados

  • As Micaias de Manuna
  • Vovô Tsongonhana
  • Os Madalas de Marracuene
  • Teoria e Método de João do Mundo
  • O Flamingo de Asa Quebrada e Outras Estórias
  • As Caricaturas da Discórdia
  • O Caroço da Manga
  • Mar Imenso



12 de agosto de 2008

Miguel Torga

(Imagem retirada da net, via Google)

Miguel Torga, pseudónimo de Adolfo Correia Rocha, (São Martinho de Anta, Vila Real, 12 de Agosto de 1907 — Coimbra, 17 de Janeiro de 1995) foi um dos mais importantes escritores portugueses do século XX.
Súplica
Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
*****
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

4 de agosto de 2008

4 de Agosto de 1578 - D. Sebastião desaparece em Alcácer-Quibir

(Imagem da net)

Louco, sim, louco, porque quis grandeza
Qual a Sorte a não dá.
Não coube em mim minha certeza;
Por isso onde o areal está
Ficou meu ser que houve, não o que há.
.......
Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia.
Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?

Fernando Pessoa, Mensagem

28 de julho de 2008

Cecília Meireles - Poetisa Brasileira

Joana Homem de Castro


Por que me falas nesse idioma? perguntei-lhe,sonhando.

Em qualquer língua se entende essa palavra.

Sem qualquer língua.

O sangue sabe-o.

Uma inteligência esparsa aprende

esse convite inadiável.

Búzios somos, moendo a vida

inteira essa música incessante.

Morte, morte.

Levamos toda a vida morrendo em surdina.

No trabalho, no amor, acordados, em sonho.

A vida é a vigilância da morte,

até que o seu fogo veemente nos consuma

sem a consumir.

21 de julho de 2008

Sugestão de Leitura - Aquilino Ribeiro

Nicolau Poussin, Faunos


* Recomendação especial para os alunos de Literatura Portuguesa
(...mas também podes ler)


20 de julho de 2008

Efemérides - 20 de Julho - Nascimento de Francesco Petrarca


Francesco Petrarca (Arezzo, 20 de Julho de 1304 - Arquà Petrarca, 19 de Julho de 1374) foi um importante intelectual, poeta e humanista italiano, famoso, principalmente, devido ao seu Romanceiro. É considerado o inventor do soneto, tipo de poema composto por 14 versos, organizados em duas quadras e dois tercetos. (in Wikipédia, c/ alterações)


A paz não tenho, e sem ter motivo vou à guerra:
e temo, e espero, e ardo em fogo, e sou de gelo,
e quero subir ao céu e caio em terra,
e nada abraço e o universo ando a contê-lo.


Tal é minha prisão, que não se abre, e não se encerra:
prende-me o coração, mas sem prendê-lo,
não me dá vida ou morte, Amor, e erra
minha alma sob o enorme pesadelo.


Odeio-me a mim mesmo, alguém amando,
grito sem boca ter, sem olhos vejo,
e quero morrer, e a morte me apavora.


Nutrindo-me da dor, chorando eu rio:
igualmente não me importam a morte e vida:
eis o estado em que me encontro, Senhora, por vós.