21 de abril de 2009

15 de abril de 2009

Monteiro Lobato


José Bento Renato Monteiro Lobato, (Taubaté, 18 de abril de 1882 — São Paulo, 4 de julho de 1948) foi um dos mais influentes escritores brasileiros do Século XX. Foi o "precursor" da literatura infantil brasileira e ficou popularmente conhecido pelo conjunto educativo, bem como divertido, de sua obra de livros infantis, o que seria aproximadamente metade da sua produção literária. A outra metade, consistindo de inúmeros e deliciosos contos (geralmente sobre temas brasileiros), artigos, críticas, prefácios, um livro sobre a importância do petróleo e do ferro e um único romance, O presidente Negro, que não alcançou a mesma popularidade que suas obras para crianças...
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Principais Obras:



O Pica pau amarelo - Um sítio onde moram personagens do mundo das fábulas, príncipes, princesas, heróis da mitologia grega. Dona Benta é a anfitriã, que adquire todas as terras dos arredores para proporcionar maior conforto ao pessoal.

As caçadas de Pedrinho - Um dia o Marqueês de Rabicó descobre uma onça pelas redondezas. Os meninos decidem organizar uma expedição para caçar a fera. Nem Dona Bentan nem Tia Anastácia deveriam saber alguma coisa, senão... No meio das aventuras acabam encontrando Quindim, o rinoceronte que fica morando no sítio.

Emília no País da Gramática - Uma das obras primas de Monteiro Lobato e provavelmente o livro mais original que se escreveu sobre o assunto. A "língua" é figurada como um país: O País da Gramática, povoado por sílabas, pronomes, numerais... Quindim, o rinoceronte, leva todo o pessoal do sítio para lá e é ele que tudo mostra e explica.


Monteiro Lobato reescreveu fábulas de Esopo e La Fontaine:


O Burro Juiz -


"Disputava a gralha com o sabiá, afirmando que a sua voz valia a dele. Como as outras aves rissem daquela pretensão, a bulhenta matraca de penas, furiosa, disse:Nada de brincadeiras. Isto é uma questão muito séria, que deve ser decidida por um juiz. Canta o sabiá, canto eu, e a sentença do julgador decidirá quem é o melhor artista. Topam?

- Topamos! piaram as aves. Mas quem servirá de juiz?

Estavam a debater este ponto, quando zurrou um burro.- Nem de encomenda! exclamou a gralha. Está lá um juiz de primeiríssima para julgamento de música, pois nenhum animal possui maiores orelhas. Convidê-mo-lo.Aceitou o burro o juizado e veio postar-se no centro da roda.

- Vamos lá, comecem! ordenou ele.

O sabiá deu um pulinho, abriu o bico e cantou. Cantou como só cantam sabiás, garganteando os trinos mais melodiosos e límpidos. Uma pura maravilha, que deixou mergulhado em êxtase o auditório em peso.- Agora eu! disse a gralha, dando um passo à frente.E abrindo a bicanca matraqueou uma grita de romper os ouvidos aos próprios surdos.Terminada a justa, o meritíssimo juiz deu a sentença:

- Dou ganho de causa à excelentíssima senhora dona Gralha, porque canta muito mais forte que mestre sabiá.

Moral da História: Quem burro nasce, togado ou não, burro morre. “

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Personagens de Monteiro Lobato - http://www.lendorelendogabi.com



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6 de abril de 2009

No cais, ao entardecer


foto: J. T.

O cais ao entardecer,

Espero eu viver,

Para o ver outonal

Naquela tarde de Outubro.

*

Naquela tarde de Outubro

Os rios cruzaram-se com os mares

E nasceu um rio cinzento

(Vogava como vento!)

Que brotou de teus olhos despidos.

*

E ainda me revejo nessa tarde

A olhar para os teus cabelos

Caídos no leito do Tejo,

E a contar uma história sibilante

Às gaivotas que partiam para sul.

Manuel Cruz Bucho, 9.º A

2 de abril de 2009

Bebido o luar, ébrios de horizonte

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Bebido o luar, ébrios de horizontes,
Julgamos que viver era abraçar
O rumor dos pinhais, o azul dos montes
E todos os jardins verdes do mar.

Mas solitários somos e passamos,
Não são nossos os frutos nem as flores,
O céu e o mar apagam-se exteriores
E tornam-se os fantasmas que sonhamos.

Por que jardins que nós não colheremos,
Límpidos nas auroras a nascer,
Por que o céu e o mar se não seremos
Nunca os deuses capazes de os viver.

Sophia de Mello Breyner Andresen

24 de março de 2009

Trem de ferro


Café com pão
Café com pão
Café com pão

Virge Maria que foi isso maquinista?

Agora sim
Café com pão
Agora sim
Voa, fumaça
Corre, cerca
Ai seu foguista
Bota fogo
Na fornalha
Que eu preciso
Muita força
Muita força
Muita força
(trem de ferro, trem de ferro)

Oô…
Foge, bicho
Foge, povo
Passa ponte
Passa poste
Passa pasto
Passa boi
Passa boiada
Passa galho
Da ingazeira
Debruçada
No riacho
Que vontade
De cantar!
Oô…
(café com pão é muito bom)

Quando me prendero
No canaviá
Cada pé de cana
Era um oficiá
Oô…
Menina bonita
Do vestido verde
Me dá tua boca
Pra matar minha sede
Oô…
Vou mimbora vou mimbora
Não gosto daqui
Nasci no sertão
Sou de Ouricuri
Oô…

Vou depressa
Vou correndo
Vou na toda
Que só levo
Pouca gente
Pouca gente
Pouca gente…

(Tom Jobim e Manuel Bandeira in “Estrela da Manhã” 1936)







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