21 de setembro de 2010

1 de setembro de 2010

José Luís Peixoto - novo livro

Novo Livro

Este livro elege como cenário a extraordinária saga da emigração portuguesa para França, contada através de uma galeria de personagens inesquecíveis e da escrita luminosa de José Luís Peixoto. Entre uma vila do interior de Portugal e Paris, entre a cultura popular e as mais altas referências da literatura universal, revelam-se os sinais de um passado que levou milhares de portugueses à procura de melhores condições e de um futuro com dupla nacionalidade. Avassalador e marcante, Livro expõe a poderosa magnitude do sonho e a crueza, irónica, terna ou grotesca, da realidade. Através de histórias de vida, encontros e despedidas, os leitores de Livro são conduzidos a um final desconcertante onde se ultrapassam fronteiras da literatura. Livro confirma José Luís Peixoto como um dos principais romancistas portugueses contemporâneos e, também, como um autor de crescente importância no panorama literário internacional.

«O dom de Peixoto para a escrita é algo raro, de beleza rítmica.»
The Guardian

«Um escritor que levanta bem alto a literatura do seu país.» Le Figaro «Peixoto surpreende pela profundidade estilística com que mostra seguir o exemplo maiúsculo do grande José Saramago e pela coragem de criar, hoje, estruturas narrativas solidamente actuais sob os exemplos, também, de Faulkner, Rulfo, Donoso.»
L' Unitá

«A prosa encantatória e audaz de Peixoto é consistentemente bela, inacreditavelmente rica e ressonante.» The Independent «A escrita de Peixoto é, ao mesmo tempo, fresca, ágil e envolvente, contendo toda uma herança literária universal. Estamos perante um escritor maduro. Um admirável escritor português.»
Luís Sepúlveda 
 
(In Bertrand editora)

17 de agosto de 2010

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE ... ETERNO




Acordar, viver

Como acordar sem sofrimento?
Recomeçar sem horror?
O sono transportou-me
àquele reino onde não existe vida
e eu quedo inerte sem paixão.


Como repetir, dia seguinte após dia seguinte,
a fábula inconclusa,
suportar a semelhança das coisas ásperas
de amanhã com as coisas ásperas de hoje?


Como proteger-me das feridas
que rasga em mim o acontecimento,
qualquer acontecimento
que lembra a Terra e sua púrpura
demente?
E mais aquela ferida que me inflijo
a cada hora, algoz
do inocente que não sou?


Ninguém responde, a vida é pétrea.



© Carlos Drummond de Andrade



Photobucket


Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira do Mato Dentro - MG, em 31 de outubro de 1902. De uma família de fazendeiros em decadência, estudou na cidade de Belo Horizonte e com os jesuítas no Colégio Anchieta de Nova Friburgo RJ, de onde foi expulso por "insubordinação mental". De novo em Belo Horizonte, começou a carreira de escritor como colaborador do Diário de Minas, que aglutinava os adeptos locais do incipiente movimento modernista mineiro.

Ante a insistência familiar para que obtivesse um diploma, formou-se em farmácia na cidade de Ouro Preto em 1925. Fundou com outros escritores A Revista, que, apesar da vida breve, foi importante veículo de afirmação do modernismo em Minas. Ingressou no serviço público e, em 1934, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde foi chefe de gabinete de Gustavo Capanema, ministro da Educação, até 1945. Passou depois a trabalhar no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e se aposentou em 1962. Desde 1954 colaborou como cronista no Correio da Manhã e, a partir do início de 1969, noJornal do Brasil.

O modernismo não chega a ser dominante nem mesmo nos primeiros livros deDrummond, Alguma poesia (1930) e Brejo das almas (1934), em que o poema-piada e a descontração sintática pareceriam revelar o contrário. A dominante é a individualidade do autor, poeta da ordem e da consolidação, ainda que sempre, e fecundamente, contraditórias. Torturado pelo passado, assombrado com o futuro, ele se detém num presente dilacerado por este e por aquele, testemunha lúcida de si mesmo e do transcurso dos homens, de um ponto de vista melancólico e cético. Mas, enquanto ironiza os costumes e a sociedade, asperamente satírico em seu amargor e desencanto, entrega-se com empenho e requinte construtivo à comunicação estética desse modo de ser e estar.

Vem daí o rigor, que beira a obsessão. O poeta trabalha sobretudo com o tempo, em sua cintilação cotidiana e subjetiva, no que destila do corrosivo. EmSentimento do mundo (1940), em José (1942) e sobretudo em A rosa do povo(1945), Drummond lançou-se ao encontro da história contemporânea e da experiência coletiva, participando, solidarizando-se social e politicamente, descobrindo na luta a explicitação de sua mais íntima apreensão para com a vida como um todo. A surpreendente sucessão de obras-primas, nesses livros, indica a plena maturidade do poeta, mantida sempre.

Várias obras do poeta foram traduzidas para o espanhol, inglês, francês, italiano, alemão, sueco, tcheco e outras línguas. Drummond foi seguramente, por muitas décadas, o poeta mais influente da literatura brasileira em seu tempo, tendo também publicado diversos livros em prosa.

Em mão contrária traduziu os seguintes autores estrangeiros: Balzac (Les Paysans, 1845; Os camponeses), Choderlos de Laclos (Les Liaisons dangereuses, 1782; As relações perigosas), Marcel Proust (La Fugitive, 1925; A fugitiva), García Lorca (Doña Rosita, la soltera o el lenguaje de las flores, 1935; Dona Rosita, a solteira), François Mauriac (Thérèse Desqueyroux, 1927; Uma gota de veneno) e Molière (Les Fourberies de Scapin, 1677; Artimanhas de Scapino).

Alvo de admiração irrestrita, tanto pela obra quanto pelo seu comportamento como escritor, Carlos Drummond de Andrade morreu no Rio de Janeiro RJ, no dia 17 de agosto de 1987, poucos dias após a morte de sua filha única, a cronista Maria Julieta Drummond de Andrade.


Veja mais sobre Drummond aqui

Palavras em vão


Eu não consigo explicar aquilo que sentia e aquilo que estou a sentir agora por ti, acho que é ódio por saber que tu és assim como pessoa tens atitudes que nem tu próprio as compreendes mas eu acredito que um dia tu irás mudar para melhor e consigas ser feliz sem te prenderes a ninguém, que lutes contra as barreiras que te atravessam à frente porque eu acredito que tu consigas.
As palavras acabam ao sabor do vento a caneta deixa de escrever, a música pára, as pessoas passam por mim com risos num olhar discreto não sei se é com pena, não sei se é calor, não sei se é frio mas só sei que estou aqui sozinha, mas as minhas cicatrizes só mostram o superficial.
Porque é que a vida é assim? Porque é que simplesmente não podia ser tudo diferente? Porque é que eu sou assim ? Porque é que sofro por quem não merece? Porque é que cada lágrima que eu choro ninguém a vê? Porque é que a solidão dói tanto? Porque é que tenho tantas perguntas? Porque é que por mais que respostas que tenha a dúvida é maior, mas eu quero aprender com os meus erros e viver um dia de cada vez melhor. 
Deito-me fecho a luz rezo para não sonhar, Se vou adormecer amanhã então para quê acordar?
Mas eu sei que tenho força para continuar e ninguém me pode dizer que não, eu nunca vou deixar que os outros me façam mudar vou ser sempre eu própria mas eu sei que saber perder é um sinal de maturidade mas nem por isso vou perder a minha dignidade, a minha palavra de honra, o meu sentido de humor, nada vai mudar em mim porque eu sou feliz assim.

28 de julho de 2010

AUSÊNCIA...© Sophia de Mello Breyner Andresen



Photobucket



Me desculpem a ausência ao blogue.

Problemas técnicos insistem em me dificultar acesso à internet...
Mas quando consigo, ah! que alegria me dá!
Desejo que tenham boas férias de verão!
Beijos da Helô


24 de julho de 2010

Estás Vivo!


A vida é tão simples. Tão igual para todos. Não há pessoas diferentes, não há heróis nem famosos que se distingam dos pobres e imperceptíveis. Todos erramos. Todos sofremos. Todos temos uma vida nas mãos. O maior peso e responsabilidade que nos deram logo no primeiro sopro. Depende sim de nós cuidar de cada pedaço que nos foi concebido. Dar sabor à vida, cor e sentido. Não basta carrega-la as costas e suportar uma tonelada de mal entendidos. O corpo é tão frágil. O coração é tão sensível. Assume que erraste, chora e sofre. Aprende a perdoar na altura certa, acredita, a altura certa existe. Quando a dor que sentes é tão grande e insuportável que a queres arrancar de ti a todo o custo. O momento certo é quando precisas de te sentir bem. Se perdoaste e não o devias ter feito, deixa, a vida encarregar-se-á de to mostrar. Tudo acontece por uma razão. A razão da pura existência de ser humanos que se auto mutilam com actos irresponsáveis e mal pensados. Não és mais fraco porque cedeste, porque acreditaste. Se não acreditares a vida deixa de fazer sentido. Se depois de sofreres, voltaste a sofrer, não te arrependas do sim em vez do não. Fazemos tudo em função do nosso bem-estar. Por vezes deveríamos usar muito mais a cabeça, evitando o sofrimento. Mas muitas vezes a cabeça apodera-se do sentimento. Sentes que não merecias, talvez tenhas razão, mas mesmo assim perdoaram-te. Dá valor aos que te seguram a mão e te mostram o caminho certo. Se optares pelo errado, mais tarde saberás. A decisão é tua. Os outros falam, os outros pensam, mas és tu que sentes. Quando és tu que choras, quando és tu que te debruças sobre uma cama procurando solução. As soluções surgem sempre, por mais difíceis ou inconscientes. O que importa é que tudo tem explicação. Sabes ouvi-la? Escuta a vida, ela fala contigo todos os dias. Todos os dias aprendes. Veste a roupa que tanto gostas e bota o perfume mais caro que guardaste para aquele dia. Vai à luta, mesmo que tropeces ou te magoes. Se não arriscares nunca saberás. Amanhã nada te garante que o teu sopro de vida não acabará. Sai de casa, bebe um shot, diz aos teus melhores amigos que os adoras, diz aquele que te completa o quanto o amas, agradece aos teus pais, bate palmas e salta. Estás vivo.
Creta, Kato Gouves, 2008

Autora: Adriana Lopes

11 de julho de 2010

Leitura Crítica

Inês Pedrosa e os homens

Não é hábito meu fazer criticas publicamente a livros, pelo simples facto de não me achar com competências para tal. No entanto, dar a minha opinião fundamentada não me parece de mau gosto.
Comprei um livro da Inês Pedrosa chamado Íntimos. Não conheço o trabalho da autora, mas o nome dela remeteu-me imediatamente para a Margarida Rebelo Pinto. A sinopse do livro falava sobre a visão dos homens em relação às mulheres e tudo bem, eu aceitei e achei, inclusivamente, que poderia ser interessante. Não só por nos dar a conhecer o ponto de vista dos homens, mas também por nos dar a conhecer o ponto de vista dos homens através de uma mulher. Eu devia saber, logo à partida, que isso era biologicamente impossível, que o sentido feminista de uma mulher é sempre irreversível, tanto mais quando a mesma se tenta afastar dele. Enfim, por alguma razão eu deixei-me inebriar pelo que li e pelo que vi. A capa do livro desperta qualquer coisa de sensual e eu que já devia saber que não se julga um livro pela capa. A Emma Bovary era bem mais sensual que todas as palavras da tal Inês Pedrosa, e no entanto esse clássico do Flaubert tem tudo menos uma capa sensual...
Entretanto, para não me dispersar, li o livro de um dia para o outro, o que permite que compreendam a nula complexidade da narrativa. A história não é envolvente, é só um seguimento de palavras que ficam bem umas com as outras, numa visão extremamente feminista e irreal daquilo que os homens de facto pensam (não é que eu saiba o que é que pensam, mas não é certamente aquilo). 
Voltando à Margarida Rebelo Pinto, da qual li várias obras no auge dos meus catorze anos, posso-vos garantir que não podia estar mais certa quando a associei à Inês Pedrosa. Generalizando e falando de ambas como um ser só (porque afinal a escrita delas encontra-se ao mesmo nível), o que eu posso concluir é que o objectivo dos livros é única e exclusivamente dizer às mulheres aquilo que elas querem ouvir. É assassinar o vocabulário para desperdiça-lo em lógicas básicas, captando o mais primitivo do pensamento de uma mulher. Se era suposto ser dramático e sensual, não é. É todo um facilitismo de relações, os sentimentos complexos de que as personagens sofrem não coincidem com a forma mundana com que lidam com eles. A sensação com que fico é que os sentimentos e as acções são duas coisas distintas, como por exemplo um pinguim e um bule de chá.
Basicamente, para mim acabou-se Inês Pedrosa, os "Íntimos" dela não me encheram as medidas e entre nós houve apenas um olá muito sumido, por uma questão de boa educação. 
Sara Raminhos