22 de junho de 2011

Visita de estudo ao Palácio-Convento de Mafra


No âmbito do estudo do Módulo 12 da disciplina de Português – Textos Narrativos / Descritivos II (estudo da obra Memorial do Convento de José Saramago) – realizou-se uma visita de estudo ao Palácio-Convento de Mafra no dia 26 de Maio de 2011, com as turmas G, H e I do 12º Ano / Ensino Profissional sob a orientação dos professores Célia Galveia e Alexandre Gonçalves.

                A partida foi de Ponte de Sor por volta das 8:30m da manhã e a chegada a Mafra às 10:30m, portanto dentro do horário previsto.

                As expectativas criadas pelos alunos eram grandes, visto que iam visitar pela primeira vez algo tão grandioso e culturalmente enriquecedor, e, à medida que ia decorrendo a visita, foi possível constatar a sua atenção aos conhecimentos transmitidos pelos guias a cada instante. Outro ponto de grande interesse foi a adaptação teatral do romance homónimo Memorial do Convento de José Saramago, com o objectivo de sensibilizar os alunos para uma melhor percepção e interiorização das ideias fundamentais desta narrativa histórica.

                Os alunos tiveram oportunidade de expressar as suas opiniões no relatório para o efeito e, de uma forma geral, vincaram o sucesso que foi esta visita de estudo, porque correspondeu por inteiro às suas expectativas, realçando também o facto de terem tido a oportunidade de consolidar os conhecimentos adquiridos nas aulas e de terem aprendido outros.

                Os objectivos foram plenamente atingidos porque, com a realização desta visita de estudo, foi possível sensibilizar os alunos para a leitura da obra Memorial do Convento e simultaneamente promover o gosto e o conhecimento da literatura portuguesa, estimular e fomentar nos alunos o interesse pelo teatro, levá-los a apreciar a monumentalidade da obra mandada erigir por D. João V, despertar o seu espírito crítico e promover o convívio entre professores e alunos.

                Por último, uma palavra de destaque para o convívio que foi muito salutar, estreitando-se assim laços de amizade entre alunos e professores, e o sentido de responsabilidade por parte dos alunos revelado em todos os momentos da visita de estudo.

16 de junho de 2011

Carlos Ribeiro - já leu?



videoconferência






RIBEIRO, Carlos, «A cidade Revisitada», Contos de sexta-feira e duas ou três crónicas, Bahia, selo Primeira Edição, 2010

            Observamos o livro que atravessou o Atlântico e pensamos em antigos baús incógnitos que, nos idos, terão feito o percurso inverso carregando velhas edições que escaparam à apertada malha inquisitória. Mergulhamos na leitura e deixamo-nos cativar pela Língua. A matéria linguística transmuda-se num discurso eivado de simbologias que a frase curta, ritmada e poética faz emergir de um tempo futuro, «naquela manhã ensolarada de Agosto do ano de 2018»[1], que regride a um passado/presente o qual possibilita retornos, ainda mais remotos, a uma memória umbrosa e original.
            A personagem central, «O homem de óculos e roupas surradas»[2]persona que regressa, ocultando o seu olhar transformante, ao jeito aristotélico, mas deambulando com uma construção de nouveau roman, tal como Alain Robbe-Grillet no-la propôs, reforça-nos a maturidade literária do texto. Viajamos, num táxi rotineiro, acompanhando o olhar oculto do homem. Não saberemos o nome da personagem, mas ela nos guiará pela orografia e toponímia de Salvador e a cidade – agora perfeita, ideal e luminosa – oscila numa vertigem temporal entre a realidade e o imaginário. Uma tecitura complexa de recriação de um espaço – tempo que se instaura no universo do mito. «O homem de óculos» percorre o lugar de uma ausência. O seu mundo, moldado por parcos advérbios que abrem a clivagem subjectiva do sujeito («Sorri timidamente»[3], «surpreendentemente boas»[4]), é percorrido pelo olhar num jogo especular surpreendente. Ocorre-nos uma frase de John Berger –A vista chega antes das palavras [5]A vista, afirma o mesmo autor e já o sabemos, «estabelece o nosso lugar no mundo que nos rodeia»[6]. A narrativa de Carlos Ribeiro testemunha-o bem.  
A personagem sabe que num presente anterior ao tempo da história o caos e a descaracterização urbanística foram uma «tragédia absurda»[7]. A recordação de uma paisagem impoluta e natural feita de areias, coqueiros e mar – qual éden inicial – sacraliza o espaço. A ele se regressa num tempo de imagens diurnas, por «um túnel de bambus»[8], numa passagem ritual magnífica. A seguir, com uma recorrência ab initio, numa ironia subtil eivada de hipérbole e de pormenores que o olhar capta, enquanto deambula com sentimento de pertença e maravilha, leva-nos ao intertexto in memoriam de Vasconcelos Maia. E, a cidade brilha, cristalizada, instala-se na ficção – lugar ideal em sobreposição temporal e textual. O outro habita a linguagem, numa duplicidade que exige medo e contenção. Salvador recobrou a sua autenticidade toponímica, pois nomear é sacralizar. Como em M. Duras, as personagens desencontram-se na linguagem, estranham-se e repelem-se, «Ele não responde. O motorista liga o rádio»[9]. O homem que regressa é escritor e conhece o frágil equilíbrio dos lugares belos, «Lugares escolhidos para ali se viver, residências invisíveis que construímos para nós à margem do tempo»[10] e o vértice desses lugares culmina no farol, onde o ritual de observação do pôr-do-sol, às sextas-feiras, era momento redentor. O largo da prefeitura metamorfoseou-se, através de um processo de idealização diurna e recuo autístico, num espaço ajardinado. Incrédulo, o homem percebe que a vida regressou ao centro da cidade antiga, «ambas convivendo em perfeita harmonia, no espaço ideal da memória e da afectividade»[11].
A cidade ideal, sonhada pelos construtores fraternos e pacíficos, renasceu e recobrou a magia, numa cosmogonia que, sabemo-lo, não é do domínio da ciência, mas etérea e poética, como a escrita de Carlos Ribeiro.
Foi uma leitura de um fôlego, pura fruição do texto, foi a atracção magnética de uma prosa que nos deu uma visão da Salvador idealizada, mas mais do que isso, o Autor transferiu-nos para uma generosa expressão do homem no mundo. Concluímos, com o receio do narrador «de que tudo aquilo não passe de um sonho»[12]. Logo, o acto de ler/escrever continua a ser o pharmacon[13] para a interpretação do real aparente.


Ana Tapadas e 12.º ano D
ESPS – Junho/2011



[1] RIBEIRO, Carlos, «A cidade Revisitada», Contos de Sexta-feira e duas ou três crónicas, pág.37
[2] O.c., pág. 37
[3] Idem, ibidem
[4] Idem, ibidem
[5] BERGER, John, Modos de Ver, Edições 70, Lisboa, 1972, pág. 11
[6] Idem, ibidem
[7] RIBEIRO, Carlos, o.c., pág. 37
[8] Idem, ibidem
[9] RIBEIRO, Carlos, o.c., pág. 41
[10] YOURCENAR, Marguerite, Memórias de Adriano, Editora Ulisseia , Lisboa, s.d., pág. 269
[11] RIBEIRO, Carlos, o.c., pág. 42
[12] Idem, ibidem
[13] RICOEUR, 1976

25 de maio de 2011

POSTER DE DIVULGAÇÃO DA VIDEOCONFERÊNCIA DO PRÓXIMO DIA 2
Profs. Ana Maria Tapadas, José Torres, Henriqueta Garrancho, Sérgia Bettencourt e alunos

14 de maio de 2011

A Poesia Vai Acabar

Manuel António Pina





 A poesia vai acabar, os poetas
vão ser colocados em lugares mais úteis.
Por exemplo, observadores de pássaros
(enquanto os pássaros não
acabarem). Esta certeza tive-a hoje ao
entrar numa repartição pública.
Um senhor míope atendia devagar
ao balcão; eu perguntei: 

«Que fez algum
poeta por este senhor?»    

E a pergunta
afligiu-me tanto por dentro e por
fora da cabeça que tive que voltar a ler
toda a poesia desde o princípio do mundo.
Uma pergunta numa cabeça.
— Como uma coroa de espinhos:
estão todos a ver onde o autor quer chegar? —

Manuel António Pina, in "Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo. Calma é Apenas um Pouco Tarde





PRÉMIO CAMÕES - 2011

8 de maio de 2011

28 de abril de 2011

Vida em tons de castanho

Graça Morais

Numa paisagem que corta a respiração
Montanhas castanhas
Céu azul com impressão de chuva...
Nessas montanhas
Plantas nascem murchas...
Plantas secas sem cor nenhuma...
E, no meio dessas plantas, nasce uma flor....
Uma flor que dá sinal de vida,
Vida naquele fim do mundo,
Um fim de mundo triste...

Aparece uma mulher, linda e encantadora,
Por detrás das plantas murchas
E então...
A única  flor que existe neste fim do mundo flutua...
E transforma-se numa árvore de bagas comestíveis...
A mulher encosta-se à árvore e,
Como por magia, uma viola nasce...
A mulher fez um milagre!
Deu vida a uma coisa inanimada!
De uma flor nasce uma mulher
Que dá vida aquele fim mundo....
Uma flor vermelha, que simboliza o amor
Amor naquele fim do mundo
Que já não é o fim do mundo...